Cafeína

Entre 2000 e 2005 o Cafeína foi um dos mais populares blogs portugueses.
Em 2008, andamos por aí.

Houve um momento que experimentámos publicar uma fanzine, fotocopiada como deve ser. Podem fazer o download de versões PDF (que não fazem justiça à xunguice da impressão): AGO.2001 | JAN.2002 | NOV.2002

Nov 27

Lá alguém acordou, mas não foi o tal gigante

Sente-se no ar. Sente-se no estádio, mesmo à distância emocional da televisão. Sente-se nos adeptos, a prepararem-se para digerir vitórias. O Benfica vai voltar a ser o que sempre foi. (…)[Blá-blá-blá conversa de benfiquista saudosista perdido entre os golos de Eusébio e duendes](…) O gigante acordou!

In Cafeina (29.10.2008)

Concordo numa coisa: O Benfica voltou a ser o que sempre foi.

Grande Colosso Europeu 5 (cinco) SLB 1(um)


Nov 25

Condensado de cafeína (ou sintomas de emigrante)

Cafeína = estimulante. Daqui o significado pareçe desvanecer como um anúnico numa parede.

In London, neste bairro de casinhas de bonecas não há cafés. Só pubs. Cada um na sua esquina estrategicamente colocado. Geralmente equidistantes entre si uns três quarteirões, quebram a monotonia e definem assim comunidades de emborcadores que se distinguem pelas marcas da cerveja: Staropramen, London Pride, Red Stripe, Guinness, Magner, Stella, Leffe
Só há uma regra: se bebes, bebes ao meio litro de cada vez, ou então optas pela versão foninhas que é a meia pint.

Domingo às 4 da tarde no Ten Bells, o pub está pejado de MVD’s (Male Vertical Drinkers conceito criado por holandeses para se referirem aos ingleses). Lá fora e cá dentro, tudo de pint no bico. E elas, claro de gin tónico ou meia pint. Não há lugar para sentar-mo-nos, ficamos de pé algures entre o balcão e o WC com um vaso de cerveja na mão a berrar para manter uma conversa no meio de tanta algazarra alcolémia..
Em Roma sê romano e assim naquele Domingo começa a traição do café de Domingo.

Nos últimos tempos, o ritual de “tomar um café” tal como sempre conheci sofreu um processo drástico de deterioração e instrumentalização. Sim, é um instrumento de trabalho tal como a máquina de calcular que está pousada na minha secretária.
Segunda-feira de manhã às 9.30 chego à minha baía, ironicamente chamada blue bay, não porque o céu está sempre azul e nos sentamos em toalhas de praia sobre a areia, mas porque o mobiliário do escritório é organizado por baías e o nosso projecto se chama assim, Azul.
Ligo o meu DELL, leio os mails NNTO (no need to open) que me escaparam da semana passada. É uma espécie de mercado negro que se foi instituindo na intranet onde o staff tenta vender o que tem e já não quer. Bicicletas, alugueres de quartos ou apartamentos, torradeiras, bilhetes para concertos, etc.
Ofereço-me para fazer um café ao pessoal da minha bay. Dirijo-me à kitchenette e pego numa das cafeteiras Bodum. A kitchnette é um ponto de passagem e de encontro. Enquanto a água ferve, os que por ali vão passando repetem a instituida pergunta de segunda-feira: How was your weekend? .
Já preparado para despejar a água fervida na cafeteira, um qualquer Ben insiste em demonstrar a sua técnica de misturar a água fervida sem torrar o café no processo. Pega numa colher de sopa e coloca-a na cafeteira com a concavidade para baixo entornando a água sobre a superfície convexa. A água cai sobre o metal frio perdendo uns graus celsius de temperatura para uma mistura perfeita. Interessante mas sem qualquer aplicação prática… o café continua uma merda.
Café feito, um tabuleiro, 4 chávenas de chá, uma tigela com cubos de açúcar e um mini pacote de leite e estamos prontos para começar na nossa baía. Joy Division, a cafeína entra a kickar e o trabalho ganha o embalo epiléptico do momento. Para controlar excessos, pepermint tea …

Starbucks, Nero, Pret ou cadeias do género são autênticas fata-morganas para um apreciador de “tomar um café”. Machiatto, Americano, Expresso, Cappucinno, Black ou White Coffee simulam um nível de especialização de quem sabe o que está a fazer no que à cafeina diz respeito. Serviço, só ao balcão, só uma voz ao fim da fila: Next! em intervalos de meio minuto tempo médio em que os clientes são despachados, dir-se-ia, à biqueirada. O sujeito fardado de embaixador da cafeinolândia pergunta se é para ficar ou para levar. Se ficar aplica-se a “taxa de indulgência”, uns 30p em cima da libra. Se é assim é para levar. O café é servido em copinhos de papel e a mistura do açucar é feita com uma varinha de pau… mas que é isto? Estamos num picnic ou quê?

Setembro em Montreal, algures numa das inúmeras esplanadas de Mile End peço um café e um croissant. O empregado serve um daqueles cafés em chávena de chá (como já estava à espera) e um croissant num prato com um guardanapo impresso onde se lia Welcome! Bienvenue!. Saco do livro e deixo-me derreter na cadeira. Após umas 5 páginas, More coffee, sir?. Esta é a alma do café Norte-Americano, é tipo um contracto: café pedido é o compromisso de chávena cheia até o livro acabar. Good life!
10 páginas depois tudo parece mais luminoso, mais saturado. More coffee?, Sure!. 15 páginas depois não só tudo parece mais saturado, uma certa ansiedade apodera-se. Os dedos começam a tremer… Tinha passado o limite da estimulação para uma espécie de mini sobre dosagem que me ia levar a escrever, minutos mais tarde, uma espécie de paranóia teórica sobre a América do Norte, uma verdade última que só se atinge e só faz sentido com uma bordoada de cafeína. Aqui vai a pérola:

For those coming from the Old Continent it’s hard not to notice an omnipresent difference in things. It is however as subtle as the difference between Coca-Cola cans. They are just barely larger, everything is slightly bigger. Streets, houses, cars, signage, cigarette packs, everything seems to have suffered from a fattening process… Where once Romans lend their vitruvian notion of proportion, here Mc Donalds seems to be the new Romans. So far, this “open proportion” in things feels like clumsy, as if you had taken two more cups of coffee than usual.

(Ganda moca!)

Daqui a mês e meio espero estar no Ceuta a “tomar um café” com a malta do costume. Um cimbalino trazido por um daqueles míticos senhores Manueis que arrastam as cadeiras a pontapé e deixam cair os sacos de açúcar na mesa com o mesmo jeito de quem já atirou muita bisca na tábua da da Praça da República. Enquanto os minutos vão passando, a conversa passa pelo processo alquímico da cafeína, e isto sim é um cimbalino!


Através do excelente Boing Boing chega-nos este vídeo arrepiante: O senhor Schiff, (que pelo ar da coisa será talvez o único banqueiro do mundo com um par de neurónios), previa em 2006, com brutal exactidão, a brutal recessão que hoje é evidente.

O triste é vermos como o Sr. Schiff era tratado como bombo da festa pelos outros intervenientes no debate, ex-conselheiros do Ronald Reagan (será que o Tribunal Penal Internacional não pode julgar esse animal a título póstumo?…) e afins em poses triunfalistas, que chocam pelo delírio com que se auto-iludem. Desejo a esses senhores eternas noites mal dormidas, e ao Sr. Schiff a minha estima e o desejo que esteja a ter umas agradáveis férias em Barbados, pagas pelo dinheiro de quem soube ir trocar as fichas enquanto era tempo.

Afinal só disse aquilo que quem quis olhar para a a Realidade sempre soube…


Nov 24

Stinky cat stinks

O programa”Zé Carlos”, ou sei lá como se chama, dos Gato Fedorento, é uma merda. Sim, eu disse-o. Não vale nada. E mesmo as hordes de “fanboys” dos GF, que tentam imitar o R.A.P. para terem piada, que sabem de cor cada sketch que já foi para o ar desde “O Perfeito Anormal”, no seu âmago, sabem-no: estes gajos já tiveram muito mais piada. Ou melhor, já tiveram piada. Pois parece que ter voltado para a SIC lhes fez algum mal aos neurónios, pois foi aí o ponto que estavam decididos a acabar de martelar os metafóricos pregos num caixão para quatro.

Os Gato Fedorento acham-se agora a Contra-Informação do terceiro canal, com críticas mordazes à actualidade política, entremeado com umas bocas na área do futebol ou sociedade, mas em vez de bonecos, têm as teatralidades do Ricardo Araújo Pereira, e tudo rematado com um momento musical absolutamente enfadonho.

Lembro-me de um episódio de “Diz Que É Um Espécie de Magazine” onde limitaram-se a mandar bocas ao Sócrates por não ser engenheiro e pela Ota, e o único momento com piada no programa foi o sketch da senhora que andava à procura do Bolinhas. Mas em contrapartida tínhamos críticas da actualidade com piada como foram as entrevistas a Valentim Loureiro, Joe Berardo ou ao Presidente da Câmara Municipal da Vila Nova da Rabona. Esta nova encarnação, que não passa de uma pálida imitação do formato que criaram para a RTP, nunca teve momentos deste calibre, e a única coisa que realmente merece ser vista, a rúbrica “Tumba!”, nem é propriamente feito por eles.

Antes até havia um sentimento de expectativa pelos domingos à noite, para poder ver Gato Fedorento e discutir e rir sobre o programa no dia seguinte no escritório. Agora prefiro dar uma volta, ou se ficar em casa, ver o Domingo Desportivo do que aturar R.A.P. e Cª.


Nov 18

Miserable Failure (!!!)

Cá está um dos raros casos em que uma imagem vale, de facto,  mais que mil palavras.

e…


Nov 11

Que tipo de adepto és tu?

Tal como nessa selva que são as rodovias, o mundo dos adeptos de futebol parece estar cheio de bestas irracionais e outra fauna que não sabe se comportar em condições. As paixões à volta de vinte e dois semi-analfabetos a pontepear um esférico pela relva por vezes parecem atingir proporções cósmicas, e não menos ridículas. Os adeptos agarram-se às cores do clube e defendem-nas ferozmente, como se estivessem dentro das muralhas de Constantinopla em 1453 e Maomet II lhes estivesse a bater às portas.

Se os clubes fossem homens atrás do volante, os adeptos eram a sua mulher, fielmente casada, mas sempre a berrar-lhe no ouvido para fazer isto, aquilo ou aquele outro, a mandar-lhe chapadas por cada falha, e a incentivá-lo a buzinar aos outros condutores, enquanto faz piças às esposas dos mesmos. Ou não eram? Que tipos de adeptos há por aí? Serão todos assim tão mentalmente instáveis? Ou haverá um “yin” para este colossal “yang”?

Já agora, que tipo de adepto és tu?

1. Hoje é dia de jogo. O teu clube joga em casa e tens bilhetes. Como te preparas para assistir ao jogo?

a. Cachecol ao pescoço e algum troco para o café. E pronto.
b. Cachecol ao pescoço, cachecóis atados aos pulsos, camisola, pintura facial, bandeira, apito, chapéu ridículo, e dinheiro para comprar um cachecol diferente dos que já tens.
c. Cachecol, soqueira, “naifa”, e casaco da claque.


2. Estás entre amigos a discutir futebol, e há alguém que é de um clube rival. Como encaras a situação?

a. Na boa. Desde que dê para a galhofa, pode dizer-se tudo.
b. Como se fosse um debate para a Presidência. Citas tudo que é estatística desde 1922 para cá, enumeras mil e um casos de arbitragem em jogos entre o teu clube e o outro, e realças “rankings” da UEFA e até finais europeias perdidas do teu clube como incomparáveis momentos de glória.
c. Com os punhos.


3. Está prestes a começar um embate entre o teu clube e o maior rival. De que esperas do jogo?

a. Grande futebol, uma orgia de golos, e, se possível, uma vitória convincente do teu clube.
b. Ganhar, nem que seja no décimo minuto de compensação, com um golo marcado com a mão, em falta, em fora-de-jogo, e sem a bola sequer ter entrado.
c. Muitos adeptos adversários para poder andar à pancada.


4. Durante um jogo, um jogador da tua equipa adgride um adversário a soco e é expulso. Como reages?

a. Pensas “Como é que um gajo que ganha mais num mês do que eu num ano faz isto?”
b. Pronto, é a pura roubalheira do costume com a qual os árbitros vitimizam a nossa grande equipa. O jogador adversário claramente deu uma violenta cabeçada no punho cerrado do nosso nobre jogador.
c. Inventas um novo cântico a glorificar o jogador expulso, fazes uma esperinha ao árbitro e organizas a malta para apedrejar o carro do jogador agredido.


5. Durante um jogo para o campeonato em casa com o último classificado, está um adepto da equipa adversária no meio dos da casa. Grita, braceja, abana o cachecol, apoia a sua equipa. E tu?

a. Ris-te, que o pobre homem deve ser maluquinho.
b. Mandas insultos hediondos para o ar, de modo que o gajo te ouça, e vais gritar “GOOOLO!!!!” aos ouvidos dele, caso a tua equipa marque.
c. Pontapé na nuca, com força suficiente para ele ir parar ao relvado.


6. Qual é o local do estádio que mais gostas para ver um jogo?

a. A meio da bancada central, para ter uma boa percepção do jogo.
b. Junto ao relvado, para poder gritar insultos estridentes ao bandeirinha.
c. Numa das superiores, preferencialmente junto a cadeiras vazias para poder arremessá-las para o relvado.

7. Momento mais memorável e emocionante enquanto adepto.

a. Aquela final da Taça em que a malta foi toda para o Estádio Nacional com o farnel às costas, e lanchámos no meio dos adeptos do adversários, e trocámos vinho e cerveja e toda a gente contou piadas, e ficamos todos amigos.
b. A gloriosa goleada em casa do nosso maior rival, nos anos 30.
c. Aquele jogo europeu em que levei uma naifada da claque adversária, mas onde ainda rebentei o focinho a cinco deles.


8. A tua equipa perde copiosamente em casa, mais uma derrota numa série de maus resultados.

a. Lenços brancos e conversas de café sobre qual o melhor treinador para o clube, que jogadores devia por a jogar e quem deveria estar na lista de dispensas no fim da época.
b. Choras baba e ranho, enquanto insultas jogadores, treinador, dirigentes, árbitros e outros adeptos que não partilhem da tua visão. E ainda invades as instalações da direcção aos berros frente às câmaras de televisão.
c. Organizas a malta para seguir os jogadores e, caso ousem sair à noite, dar-lhes uma carga de facho. Isso e apedrejar o carro do treinador.


9. A tua equipa vence um adversário complicado com uma exibição portentosa e uma goleada.

a. Bem bom, mas a malta que não se entusiasme demais. Há que manter a forma e amealhar pontos para nos afastarmos dos nossos concorrentes directos.
b. É a euforia total, já vejo a equipa a trazer a Taça dos Campeões Europeus para cá, e até já pintei o meu carro com as cores e símbolo do clube, mesmo sabendo que ele vai aparecer amanhã de manhã completamente desfeito.
c. Vou espancar alguém por cada golo que a minha equipa marcou.


10. A seguir à vitória, como celebras?

a. Vou para os copos com uns amigos, e brindámos ao clube!
b. Grito as glórias do clube pela noite adentro até os vizinhos chamarem a bófia.
c. Cerveja, ganza, e sexo em grupo com as badalhocas da claque.


11. O novo treinador do teu clube é um tipo calmo, descontraído e que evita as habituais polémicas, críticas às arbitragens e, sempre que pode, até repudia comportamentos menos correctos dos adeptos da casa. Como vês este técnico?

a. Este gajo é uma pedrada no charco!
b. Este gajo vai levar a equipa para o charco.
c. Morto à pedrada, corpo no charco.


12. E finalmente, se pudesses trabalhar no teu clube, o que gostarias de fazer lá?

a. Ser treinador, que é para arrumar a casa e por aqueles meninos minados a correr e a jogar como deve ser!
b. Ser presidente, para poder ir à televisão arranjar confusão com outros presidentes, e chamar-lhes nomes e acusá-los de crimes e insultar árbitros, e dizer sempre que o meu clube é o maior!
c. Ser Capanga-Mor do presidente.

Resultados:
Escolheste mais vezes a resposta ‘a’: És um gajo que vibra com futebol, gostas do clube, mas sabes que há coisas mais importantes na vida.

Escolheste mais vezes a resposta ‘b’: És um ceguinho que só vê as cores do clube à frente, e és capaz de vender a própria mãe se isso desse os 3 pontos à equipa.

Escolheste mais vezes a resposta ‘c’: Devias estar preso, não no estádio.


Nov 8

Cafeína clássico


Nov 6

A Sudden Gust of Wind

Aqui escrevo o que ele quer. Ali escrevo o que eu quero.

Aqui porto-me bem, penso e meço as palavras, tento não dar erros e nem entrar em picardias privadas nem tão pouco anunciar a próxima festa da rua de cima. Aqui sou ‘crescidinha’, apesar de ser para sempre a mais ‘novinha’. Aqui vou falar de politiquisses (quando o diabo entrar pela porta da frente e me forçar a tal, pois para isso tenho-o a ele), vou achar que aquela musica é audível (porque ele também o acha (mas se for a ver ele também, e de facto ambos concordamos), só não vou falar da bola, que menina que se preze não gasta tempo nessas coisas (porque para isso temos ele), poderei também dar o jeitinho e contar um conto (mas ele faz isso bem melhor que eu).

Só não me peçam para pontuar palavras. Nem aqui, nem ali.

De qualquer forma fui a ultima a chegar e penso deixar a porta ‘entre-aberta’, nunca se sabe quem virá a seguir (mas se bem me recordo ainda falta alguem…) e o cansaço justifica tal.

Se errar, o senhor da caneta azul trata de emendar. No final de contas é para isso que existem os editores, não?!

On the other hand…

(Falei com o editor e ambos concordamos em reunião lá para os lados das Galerias Paris que seria uma entrada triunfante a minha se optasse por fazer um artigo que cruzasse os senhores de Brokeback Mountain com a Canção do Engate do António Variações.)

Mas já passa das duas da manhã e aqui sou ‘crescidinha’.


Nov 5

Presidente Obama

Além disso o gajo tem pinta.

Soube bem escrever o título, por isso volto a repetir:

Presidente Obama.

Lembro-me muito bem do pesadelo das eleições americanas de 2000. Lembro-me de assistir à transmissão da noite eleitoral, fazendo uma quase-directa até de manhã, e de me deitar sem saber quem seria o homem mais influente no mundo nos quatro, porventura oito anos seguintes. E lembro-me do desespero, quase um mês depois, quando se confirmou o golpe a favor do senhor Bush. Na altura discuti muito, com amigos e familiares, que achavam muito bem a vitória da Direita na América, para “limpar o mundo da rebaldaria das Esquerdas”. Enfim, o tal ‘discurso da tanga’. Não compreenderam aquilo que eu soube logo: o presidente dos EUA não é apenas o presidente de um país poderoso, como o presidente chinês ou o presidente russo, os tais com acesso ao Botãozinho Vermelho da Destruição Total. O presidente dos EUA é o presidente da principal potência mediática, e a ideologia desse senhor será a ideologia mais influente em grande parte do mundo nos anos seguintes. No dia da tomada de posse de G. W. Bush escrevi aqui um artigo acerca disto. Ainda estávamos longe de adivinhar o que viria aí.

O 11 de Setembro, independentemente dos culpados por este grave crime, deu à Direita mais reaccionária dos Estados Unidos (e, por arrasto, de grande parte do mundo) a desculpa para entrar numa total orgia triunfalista, com os discursos do “conosco ou contra nós”, com medidas securitárias radicais de dar orgasmos a muito PIDE encapotado (tanques e soldados de metrelhadora à porta de aeroportos na Europa, detenções ilegais, etc), mas também levou a mudanças substanciais no dia-a-dia de pequenos locais como o nosso Portugal - estou convencido que sem Bush nunca teria o recibo verde, o estágio não remunerado, o congelamento dos aumentos dos salários reais chegado ao cúmulo onde chegou. Com Bush, foram os pobres (e os médios) do mundo que ficaram mais pobres, os ricos mais ricos e mais psicoticamente gananciosos, e quem está contra que se cale ou é terrorista.

Claro que isto era insustentável. Um defeito do Capitalismo (e também a sua principal virtude) é ser um sistema simbiótico, logo os ricos não podem continuar a ser ricos por muito tempo se ‘matarem’ (com salários baixo, dívidas, etc) os consumidores dos quais afinal dependem. Portanto, sem um pouco de ‘socialismo’ que permita à população participar realmente na economia, aos ricos sobram os Jogos de Casino e Esquemas de Pirâmide. O resultado está aí: a Segunda Grande Depressão. Esperemos que o Sr. Obama consiga liderar uma recuperação rápida.

A minha esperança no Sr. Obama reside no facto de que, para mim, a vitória dele representa a vitória da Realidade. Escrevia Philip K. Dick “a Realidade é aquilo que por mais que tentemos não desaparece”. Bush foi produto da ignorância e desprecupação com o Real, isto é, o que é Realmente Importante (emprego, sustentabilidade) passou a ser ignorado, e os eleitores americanos acharam mais importante que o seu voto se destinasse a mandar na vida dos vizinhos, por exemplo, impedindo os casais homossexuais de se casar (algo que infelizmente, ainda continuou nos referendos locais que acompanharam estas Presidenciais), e outras preocupações absurdas com coisas que apenas dizem respeito à vida de cada um (já agora, não me alongando muito: o casamento entre homossexuais é a meu ver indiscutível - é um direito humano fundamental, não é uma questão nem política nem moral).

Ora, a tal Realidade voltou, e deu um potente soco na cara dos que queriam Capitalismo sem Realidade. Não havia outro final possível para a tragédia dos Anos Bush, que não fosse a eleição de um Pragmático esclarecido. Esperemos que as tendências mediatizadas por Obama não demorem a influenciar a Europa, e que essa Direita do Irreal (será que posso dizer ‘Capitalismo Utópico’? Ora toma!) das Manelas Leite-podre e das Sarahs Palin seja de vez erradicada da Vida e metida no lugar que merece, nos livros de História onde já pertencem os promotores da Grande Mentira (ou o Grande Esquema em Pirâmide), Ronald Reagan e Margaret Thatcher…

Vamos lá, mais uma vez:

Obama Presidente.

Presidente Obama.

Obama Presidente.

Presidente Obama…

* Fotografia (Joe Radle/Getty Images) retirada deste portfolio.


Oct 31

and now, for something completely different....


Oct 30

...queres morangos em janeiro?

(ó gajo do lápis azul, não achas que estás a roçar a falta de educação??)

Os tempos agora são outros e o clima (e os passaros) parecem ter perdido o GPS, mas ainda assim os ciclos naturais repetem-se todos os anos, aunciando-se principalmente com a renovada oferta gastronomica. (ou das regras do estomago)

O vinho novo está na dorna ( ou já na mesa ), a castanha começou a ser calibrada, as avelãs e amendoas foram já partidas, os doces e as compotas brilham nos respectivos frascos, memorias cristalinas dos frutos inchados pelo ultimo periodo de sol…

…e nos fumeiros jaz a carne retalhada com as miudezas e o sangue envoltas pelo seu interior…

…e as chuvas e o frio lá fora ajudam a que dentro se acenda a fogueira, e volta-nos á memória esse aconchego primordial do fogo, do lar.

Mas estes são os ritmos da terra, que pouco se fazem sentir na cidade-envolvida-em-pelicula-protectora, são rituais muito diluidos na monotonia da oferta permanente de produtos-da-terra dos seus supermercados globais,…

(…queres morangos em janeiro?)

Não será à toa que os celtas marcavam este periodo no calendario como a transição para um ano novo, e não deixa de ser curioso como hoje esta coisa do dia-das-bruxas tenha um significado tão desviado, com uma expressão tão acentuada (popular ? cultural?), certo, na cultura anglo-saxonica, mas recentemente adoptada neste pais á beira mar plantado…

Este último fim de semana voltei às terras altas para o aniversário do meu pai.

Como é “a época”, no sabado de manha fomos até à autoproclamada capital da castanha (bem, não se trata apenas de uma coincidencia espacial, alias, os ouriços esmagados pelo caminho bem o atestaram) tratar das provisões. O meu pai tinha ali um “contacto”, um tal de Sr. António, cuja fama de vendedor de produtos de qualidade lhe tinha sido emprestada na amena cavaqueira de café e que fez estrada pelos cruzamentos nas conversas da pesca, ou da caça, essa forma de conhecimento longe de qualquer guia turistico gastronomico, porque a informação tambem ela é uma coisa volatil, tal como as palavras….

Acontece que o Sr. Antonio, homem forte e de feições rijas, com o cabelo totalmente grisalho, impecavelmente penteado para tras, gere o seu negocio de venda de produtos da terra directamente a partir do seu estabelecimento, uma barbearia-cápsula-do-tempo, res-do-chao, cadeiroes de ferro forjado incrustrados pela insistencia prolongada da gravidade num soalho maciço de madeira longamente fustigada pelo tempo e pela passagem dos homens (sim, quem espreite por aquela porta de madeira maciça hoje, como quem entrou nos ultimos 50 anos, portas abertas directamente para a rua, parecer-lhe-á assistir a um espectaculo continuamente em cena…

“Vem comprar castanhas? Muito bem! Este ano foi mau para a castanha, há menos para vender…” - exclama, enquanto trata de aparar, com mestria na navalha, os cabelos da nuca do fregues sentado no cadeirao. “Espere ai um pouco, é só um instantinho”

Enquanto esperavamos pelo fim do corte, chegam dois “fornecedores” prontos para vender castanhas junto do que agora mais claramente parecia um entreposto comercial, acusando o proposito da localização da barbearia na praça, e acusando o negocio-fachada que sempre dará para fazer un trocos entre as horas mortas do verdadeiro negocio, a venda dos produtos trazidos directamente pela mão que semeia e colhe da terra.

“Sr. Antonio, trago ali castanha da boa, a quanto é que está a comprar?”

“Ah, isso depende, meu amigo! É preciso vê-la. É só um instantinho, já lá vamos ve-la!” - responde-lhe.

“Está mesmo aqui à porta!” - rebate

“Eu tambem lhe trago aqui uns 40 quilos, já selecionados! É toda da boa! E grande!” -devolve-lhe o segundo fornecedor.

Acabado o corte, passou-se aos negocios. Foi só preciso sair porta fora. Ao primeiro, depois de uma breve inspecção do lote, afastando as castanhas dentro do saco, depois levantando um punhado ao sol, e rapidamente eliminando produto “bichado”, despudoradamente deitado ao chao, o Sr. Antonio ofereceu “eurimeio” (ao quilo, entenda-se). As castanhas eram pequenas e não tinham sido escolhidas!

Ao segundo, a história era diferente. As castanhas eram enormes, cuidadosamente divididas em dois grandes sacos de rede vermelha, que passaram no mesmo tipo de inspecção sem que nenhum daqueles campiões acabasse prostrado no granito frio do pavimento exterior. “Esta é da boa! Dou-lhe mais cinquenta centimos.”

Impecavél, penso eu. Uma incursão por uma versão simplificada da actividade bolseira, directamente na raiz! E tudo á frente do freguês. Quer dizer, nós, que estavamos ali para comprar.

“Ora venham lá daí!” e dirigiu-se para um portão mais acima, onde fomos encontrar toda a espécie de castanha, envolvida por um cheiro inebriante a alcool, que ali tambem se tinha acabado de fazer a aguardente. Acabamos por comprar castanha da melhor qualidade, em tudo semelhante à que momentos antes tinha sido “leiloada”, a doisemeiooquilo, o que por matemática directa lhe deu pelo menos uma margem de lucro de 25%, isto sem contar com o trabalho manual de selecção. Claro está que isto tudo sem cortes fiscais. Mas para quem ache que o “estado”, que somos todos nós, sai prejudicado nestas transações paralelas com dinheiro vivo, desengane-se, porque a história ainda vai a meio.

O giro de compra da castanha na sua capital não estaria completo sem ver o outro lado do negócio, aquele industrializado. Por ali, e nao vou passar a publicidade (pelo menos por enquanto), existe uma cooperativa que comprando directamente a uma miriade de produtores, seleciona a castanha conforme o calibre, limpa, ensaca, rotula e prepara para distribuição.

Ora e não há nada como ir à fonte! Entramos porta a dentro pela fábrica (não estava ninguem no tipico-contentor-convertido-em-secretaria) (vem-me à memória: “…o Lobão vê uma porta aberta, e entra”… deve ser de família!…), andamos pelo meio das maquinas de calibragem, de ensaque,…, até que alguem identificou os dois “espioes industriais”, que, apenas apresentados como compradores-na-fonte, nos conduziu às camaras de refrigeração onde os lotes estavam prontos para distribuição.

Ali, no meio de um frio maior que o lá de fora, fomos informados que estavam “a vender para quase todas as grandes superficies nacionais”, mas que por enquanto não tinham volume para exportação. O “produto” era sem duvida alguma selecionado, estupidamente limpo, cuidadosamente dividido em sacos de um e cinco quilos, de calibre diferenciado. Os preços para a castanha maior, em tudo semelhante à que já tinhamos comprado eram de cincuauquilo ( impressionante como os valores redondos ditos a correr perdem importancia…), a nós, que estavamos ali para comprar, fazia-nos a 4. Minutos depois, acompanhados até ao tipico-contentor-convertido-em-secretaria, foi-nos passada a factura, que acrescia à compra os 5% de IVA. Ora, em matemática muito simplista, pagámos 21 euros: 1 para o Estado, 10 ? para o bolso do Produtor, 10 para o bolso do Insdustrial.

Sendo seguramente comprovado que a margem de lucro (desconto incluido- imagine-se) é superior aos dois euros o quilo (100% - basta lembrar os preços do primeiro vendedor na barbearia), e pese embora o dispendio no investimento de tão grande “fábrica”, pergunto-me: mas afinal o interesse para o consumidor final na industrialização dos processos não é pagar menos pela acesso à qualidade controlada?

E a mim que me interessa mais: pagar 25 centimos por quilo ao estado e o dobro pelo mesmo produto, ou “ficar a dever” 10 centimos  por quilo ao estado-que-somos-todos-nós, e pagar com dinheiro vivo (ou será fantasma?) directamente ao produtor, pela mesma qualidade no produto?


?



De qualquer modo, o estio prolongado do Porto parece finalmente ter abandonado estas paragens, resta esperar que o verão de S. Martinho seja certeiro no calendario, mas se não o for, é sempre bem vindo, ainda que tardio. E mesmo que sem a jeropiga…

… nada melhor que a reuniao para degustar os produtos que à força (e por esta altura, tambem à bala) são arrancados da abundante “pança” da terra-mãe.

Certeiro certeiro é a degustação de castanhas (alguem recusou chamar-lhe magusto, por nao existirem nem fumo nem brasas…) marcada para este sabado 1 de Novembro, aqui por casa … com competição aberta entre as duas especies.

Saberemos qual das castanhas vence o prémio da mais saborosa?


Oct 29

O Gigante acordou.

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Sente-se no ar. Sente-se no estádio, mesmo à distância emocional da televisão. Sente-se nos adeptos, a prepararem-se para digerir vitórias. O Benfica vai voltar a ser o que sempre foi. Um clube de ADN sul. Nacional sem dúvida, mas que joga onde faz calor, onde apetece ir sem preocupações para ver espectáculo. Quique Flores tem uma missão difícil mas que tomou para si por inteiro. Devolver a fome de ganhar ao Sport Lisboa e Benfica. Mas o que se vai seguir não é um festim, é um jantar de gala, um jantar de caviar e champagne, com morangos para sobremesa. Depois de 14 anos caóticos e desesperantes algo se mexeu na zona de Benfica e o tremor de terra vai começar a fazer-se sentir. O gigante acordou, com fome e raiva. Vai tudo à frente, embalados por 60.000 adeptos cheios de ilusão. Nem sequer importa muito se vamos ou não ser campeões este ano, embora, podem escrever, este ano seja nosso. Preparem-se. O gigante acordou!

* na foto José Águas no antigo estádio da Luz com a sua filha, Lena D’Água


Oct 28

Taxistas portugueses só em Lisboa

Apesar de achar muito má ideia, o portal Sapo dá voz a um dos cancros da estrada, os taxistas. No entanto, achei piada à frase, e cito directamente daqui: Vamos andar por Lisboa a dar voz aos motoristas portugueses. Pode ser tolice minha, mas pensava que era em Portugal que se dava voz aos portugueses, mas pronto…
Faz lembrar a famosa afirmação dita por jornalistas cretinos todos os anos no primeiro dia de Agosto: (…) os portugueses saem hoje de Lisboa em direcção ao Algarve…

Oct 20

Crise Financeiró-Económica do Catano

No 9º ano, andei na turma de Economia. Considero a decisão de o fazer um dos grandes erros da minha vida, embora tenha compensado por ter conhecido aquele que é ainda hoje o meu melhor amigo. Gosto de Economia e das suas disciplinas relacionadas como gosto que me trilhem o escroto. Percebo tanto das dinâmicas de mercado como entendo das doenças capilares que afectaram os mamíferos de menor porte durante o Cenozóico tardio. Logo, tenho exactamente zero competência para largar aqui pensamentos sobre o actual tsunami financeiro que varre as economias mundiais. Mas vou fazê-lo na mesma.

Tenho a ideia do Durão Barroso, ao ser eleito para Primeiro Ministro em 2002, falar vezes sem conta dos Portugueses “terem de apertar o cinto”. Isto porque havia já “crise”. Por isso já estamos em crise neste País há uns 6 ou 7 anos. Se calhar é por isso que não nos parece que a grande tempestade arruinadora de economias tenha tido grande consequência para estas bandas. Já estávamos na merda.

Para estas coisas é costume usar uma espécie de barómetro. Se utilizarmos algo como as reportagens diárias da TVI sobre a Grande Crise Nacional em Exclusivo na Sua TVI como barómetro, rapidamente chegaremos à conclusão que estamos em Crise Grave há anos e que os portugueses estão todos à beira da bancarrota total, pois têm de fazer pão em casa e vão pescar porque não há dinheiro para o cinema. As reportagens não especificam se as famílias portuguesas estão mal porque: a) ganham pouco; b) as coisas estão caras; ou c) esmifram o dinheiro em coisas ridículas em tempo de vacas gordas e estão endividados até às orelhas porque estão a pagar um empréstimo que tiraram para pagar um empréstimo que tiraram porque a Crise estava a limitar as compras de Natal de há uns anos atrás. Há crise sim, mas é de qualidade entre jornalistas, mas isso não é de agora.

Outro barómetro afigura-se necessário. O mercado imobiliário é um bom candidato mas é complexo e desigual. Umas das consequências engraçadas da dita crise acaba por ser os tiros que promotores e construtores imobilários dão no pé. Andam por aí peritos de mercado que são contratados pelos promotores e construtores, e que lhes dizem que é nestes tempos de aflição que os super-ricos fazem as suas compras. Então toca tudo a fazer projectos megalómanos de grande luxo em catadupa. O problema é que os super-ricos não abundam e grande parte dessas obras escandalosamente caras abrem falência passado um período de tempo embaraçosamente curto.

Carros. Esse é o meu barómetro de eleição. Há quem diga que sou doido varrido porque reparo nas matrículas todas dos carros e sei mais ou menos a que mês e ano correspondem certas combinações de letras. Mas essas combinações dão ideia da quantidade de automóveis que se vendem por esse país fora. Não são designações aleatórias sem nexo aparente. Cada par de letras, como por exemplo, “GP”, a mais recente combinação à data deste post, corresponde a 10 000 carros com essas duas letras. Com um pouco de cálculo, conclui-se foram matriculados em Portugal um número perto de 610 mil automóveis (isto inclui carros importados, motas, camiões, etc.) desde Agosto de 2007 (que é quando começaram as matrículas “EA”). Isso dá quase 41 000 carros por mês, ou 1300 e tal carros por dia. Por ano dá a módica quantia de quase 500 mil, que significa que um em cada vinte tugas comprou um veículo novo este ano. Isto é só novos, não contempla o mercado de segunda mão, e não conta, como eu gostaria de saber, que fatia dessas novas matriculações são grandes bombas, tipo BMW, Audi e Mercedes, e que estou farto de ver na rua. Lá fora, a Renault vai despedir uns 6000 trabalhadores e a Volvo 4000, e a General Motors e a Ford vêem as vendas a descer a pique de forma verdadeiramente dramática. Isso é que é crise. Mas em Portugal este canto de mercado respira saúde, por isso se ouço alguém a falar em crise no sector automóvel em Portugal, estão mas é muito mal habituadinhos.

Não quero com isto reduzir a importância da situação de malta que não consegue arranjar emprego ou tem dificuldade a pagar contas. Só queria frisar como a mentalidade tuga é muito estúpida quando é para gerir parcos recursos. É uma gestão “à Benfica”. Há pouco dinheiro, e toda a gente sabe que há pouco dinheiro´. Mas mesmo assim, não se poupa nem se faz compras inteligentes, mas estoura-se o pouco dinheiro que se tem e não tem em aquisições gloriosas e sonantes para dar a imagem de opulência e sucesso. Uns compram Cardozos e Aimars, outros compram Audis e Bê-Emes.


Oct 16

Portugal, 0 - Albânia, 0

De facto o Eduardo tem razão: a facilidade com que se põem imagens neste novo Cafeína é espantosa…!

f.


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